Atos pelo país questionam letalidade de operação policial no rio

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© Paulo Pinto/Agência Brasil

Manifestações tomaram as ruas de diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira em resposta à megaoperação policial que atingiu os complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. A ação, que resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais, gerou forte onda de críticas devido ao seu alto grau de letalidade.

O protesto, intitulado “Chamada geral contra a morte: o Estado mata negros e pobres no Rio de Janeiro e no Brasil”, expressou luto e solidariedade às famílias das vítimas e demandou uma investigação transparente e independente dos incidentes, bem como a responsabilização dos envolvidos.

No Rio de Janeiro, o epicentro da mobilização foi o Complexo da Penha, onde organizações como o Instituto Papo Reto, Raízes em Movimento e Voz das Comunidades se uniram aos moradores locais. Liliane dos Santos, residente da comunidade, compartilhou o terror vivenciado durante a operação. “No dia da operação, pra gente foi um baque. Foi um dia desesperador pra gente, que parece que o tiro estava sendo dentro de casa”, relatou.

Raimunda de Jesus, dirigente sindical, expressou indignação com o tratamento dispensado aos moradores. “A forma que aconteceu aqui não acontece na zona sul, nas áreas mais ricas, que lá também tem bandidos. Então, não é da mesma forma. Então, aqui, nós que moramos na periferia, somos discriminados. O Estado não pode nos ver como inimigos. O Estado tem que tratar e cuidar do seu povo, da sua população”, afirmou.

Tainã de Medeiros, do Instituto Papo Reto, ressaltou que a comunidade já foi palco de operações igualmente impactantes. “Isso já aconteceu antes, isso já aconteceu, teve a chacina do Pano, teve a de 2010, teve uma ocupação aqui também com os militares também que teve muitas mortes. Recentemente tinha tido uma outra chacina aqui com 21 pessoas assassinadas. Toda essa construção de narrativa de que tem que entrar para matar bandido não está fazendo sentido pra gente”, declarou.

Além de manifestar repúdio à violência, os atos visaram fortalecer a organização comunitária, buscando assegurar o acesso a direitos fundamentais nas comunidades afetadas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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