Um relatório recente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) lança um alerta sobre a crescente deterioração da liberdade de imprensa em diversos países das Américas. O estudo aponta para um aumento significativo nas ameaças e restrições ao exercício do jornalismo crítico e independente em quase todo o continente.
A SIP destaca que essa “escalada de pressões” contra jornalistas e veículos de comunicação ocorre em diferentes contextos políticos e econômicos, independentemente da orientação ideológica dos governos. As consequências dessa deterioração afetam diretamente pilares fundamentais da democracia, como a liberdade de expressão, o direito à informação e a capacidade dos cidadãos de receberem notícias fidedignas.
Segundo a SIP, a prática diária do jornalismo está sendo limitada ou impedida em países americanos. O relatório cita casos de assédio, violência, perseguição judicial, pressão econômica, controle digital e censura explícita que se intensificaram em diferentes graus na Argentina, Colômbia, Canadá, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Nicarágua, Peru e Venezuela, entre outras nações.
A SIP expressou especial preocupação com a situação nos Estados Unidos, onde o governo e seus apoiadores têm investido repetidamente contra veículos de comunicação e jornalistas críticos. A entidade destacou uma crescente deterioração do clima de trabalho para a imprensa no país, historicamente considerado um bastião das liberdades democráticas.
Nos Estados Unidos, dezenas de jornalistas de importantes agências e veículos de notícias devolveram suas credenciais de acesso ao Pentágono em resposta à exigência de submeterem suas reportagens à prévia aprovação do Departamento de Defesa. Além disso, autoridades federais sinalizaram planos para limitar a estadia de jornalistas estrangeiros no país e o governo ameaçou revogar licenças de operação de emissoras de rádio e TV críticas.
No Brasil, a SIP aponta a continuidade do assédio judicial contra jornalistas nas primeiras instâncias do Poder Judiciário, embora decisões finais no Supremo Tribunal Federal (STF) tenham sido, geralmente, favoráveis à manutenção da liberdade de imprensa. A entidade também manifesta preocupação com a persistência de casos de violência contra jornalistas, muitas vezes praticados por detentores de cargos públicos, e com a possibilidade de o STF aumentar a pena dos crimes contra a honra de funcionários públicos. O relatório também destaca campanhas coordenadas por ocupantes de cargos públicos, políticos e grupos de influência para intimidar, constranger e desacreditar veículos e jornalistas, tanto nas redes sociais quanto pessoalmente.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


