Fim do motorzinho? superlaboratório cria solução indolor contra cárie

3 Tempo de Leitura
G1

Pesquisadores brasileiros podem estar perto de aposentar o temido motorzinho odontológico. No superlaboratório Sirius, em Campinas (SP), cientistas trabalham no aprimoramento de uma solução inovadora para o tratamento de cáries, que promete eliminar a dor e o desconforto associados ao procedimento tradicional.

O projeto, desenvolvido por uma startup de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi selecionado por um programa de aceleração tecnológica do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). A chave da nova técnica reside no uso de nanopartículas de prata, incrivelmente pequenas – 50 mil vezes menores que um fio de cabelo –, que atuam diretamente sobre as bactérias causadoras da cárie.

O mecanismo de ação é engenhoso: as nanopartículas penetram na dentição, aderem às bactérias e rompem suas membranas, impedindo seu funcionamento e interrompendo o crescimento da cárie. Além disso, formam uma barreira protetora, prevenindo novas infecções.

“Nós desenvolvemos uma formulação que possibilita tratar a cárie sem precisar usar broca, sem precisar de anestesia, de uma forma completamente indolor”, explica André Galembeck, pesquisador em nanotecnologia. “Já testamos isso com grande eficiência em mais de 3 mil crianças. Realizamos três ensaios clínicos e os resultados são excelentes.”

Testes experimentais em consultórios já demonstram o potencial da solução. Estudantes relatam que o novo método é “muito melhor” por ser indolor e mais fácil que o tratamento convencional com a broca. Ortodontistas destacam a precisão do produto, que combate a cárie de forma seletiva, preservando áreas saudáveis do dente.

Outra vantagem é a colaboração das crianças durante o tratamento, já que o medo da broca é eliminado. “Você diminui o tempo da consulta, porque grande parte da consulta odontológica com a criança é o dentista tentando convencer a criança a abrir a boca, porque ela vai para lá com medo da maquininha”, observa Galembeck.

O trabalho no Sirius não se limita ao tratamento. Os pesquisadores também desenvolvem um produto para prevenir o surgimento de novas cáries, criando uma condição desfavorável à adesão das bactérias na estrutura do dente.

A segurança é prioridade, e os testes no superlaboratório são cruciais para garantir que o produto seja seguro para a população. “Estudar esse produto em diversas fases antes de soltar para a população deixa o projeto com mais confiança”, afirma Ohanna Costa, pesquisadora do CNPEM.

Após a etapa no Sirius, a startup retornará a Pernambuco, onde buscará a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a comercialização do produto, que promete revolucionar a odontologia e tornar o tratamento de cáries uma experiência mais agradável e menos traumática.

Fonte: g1.globo.com

Compartilhe está notícia