Um novo relatório da Human Rights Watch (HRW), divulgado em 28 de outubro de 2025, destaca deficiências significativas na investigação das mortes ocorridas durante a Operação Contenção, realizada há um ano no Rio de Janeiro. A operação resultou em 122 mortes, incluindo cinco policiais e 117 civis, nos complexos da Penha e do Alemão.
Contexto da Operação Contenção
Durante a Operação Contenção, as autoridades alegaram que os confrontos com a polícia resultaram na morte de 117 civis, enquanto as investigações relacionadas aos assassinatos dos cinco policiais foram concluídas. Até agora, 12 indivíduos foram indiciados, entre os quais nove foram diretamente implicados nas mortes, e três são suspeitos de comandar os ataques.
Falhas na Investigação
O relatório da HRW revela que a investigação das mortes civis ainda está em andamento, sem conclusões claras, apesar das evidências sugerindo ilegalidades e excessos por parte das forças policiais. A análise abrangeu quase 9 mil páginas de documentos, 122 laudos de necropsia e 4,4 mil horas de gravações de câmeras corporais, além de entrevistas com 41 pessoas, incluindo testemunhas e familiares das vítimas.
Inadequações na Ação Policial
Entre as principais falhas identificadas, está a falta de medidas investigativas por parte dos policiais após os incidentes. O Departamento Geral de Homicídios, responsável pela investigação, não se preparou adequadamente, mesmo tendo conhecimento da operação previamente. Além disso, as equipes de perícia da Polícia Civil, embora convocadas, não foram enviadas aos locais dos confrontos, resultando em várias evidências não coletadas.
Consequências da Falta de Perícia
A ausência de perícia adequada comprometeu as investigações. Muitos corpos foram retirados dos locais de crime sem a presença de peritos, e a HRW observou que a exposição dos corpos à temperatura ambiente por longos períodos prejudicou os exames necroscópicos. Além disso, não houve preservação dos locais do crime, mesmo em áreas onde isso poderia ser feito com facilidade.
Problemas com Evidências
Outro ponto crítico levantado pela HRW foi a má gestão das armas apreendidas. As autoridades apresentaram essas armas sem o devido acondicionamento, o que comprometeu a análise pericial. Essa falta de cuidado com a preservação das evidências levanta sérias questões sobre a integridade das investigações.
Conclusão
O relatório da HRW sobre a Operação Contenção no Rio de Janeiro expõe falhas alarmantes nas investigações das mortes ocorridas durante a ação policial. A falta de procedimentos adequados de investigação e a má gestão das evidências destacam a necessidade urgente de reformas nas práticas policiais e de investigação no estado, visando garantir justiça e proteção dos direitos humanos.


