O governo brasileiro ajustou suas projeções para o superávit da balança comercial de 2026, reduzindo a estimativa de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Essa alteração é reflexo da queda nos preços do petróleo, que impacta tanto as exportações quanto as importações do país.
Impacto da Queda nos Preços do Petróleo
A diminuição nas expectativas para 2026 está diretamente ligada à flutuação dos preços do petróleo. O barril de petróleo, que chegou a ser negociado a US$ 138 em abril, caiu para cerca de US$ 100, afetando as transações brasileiras com o exterior. O Brasil é um exportador de petróleo bruto e também importa derivados, o que torna a variação de preços um fator crítico.
Nova Projeção do MDIC
A nova estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) inclui:
– **Exportações:** US$ 382,5 bilhões (anteriormente US$ 394,4 bilhões); – **Importações:** US$ 298,1 bilhões (anteriormente US$ 304,4 bilhões); – **Superávit Comercial:** US$ 84,4 bilhões (anteriormente US$ 90 bilhões).
Embora tenha havido uma redução nas previsões de vendas externas em US$ 11,9 bilhões e de compras em US$ 6,3 bilhões, as exportações para 2026 ainda devem crescer 9,8% em comparação a 2025, enquanto as importações devem aumentar 6,4%.
Projeção de Superávit e Desempenho Anterior
Se confirmado, o superávit de 2026 será o segundo maior da história, superado apenas pelo resultado de 2023, que foi de US$ 98,9 bilhões. Em 2025, o Brasil alcançou um saldo positivo de US$ 68,1 bilhões.
Desempenho Necessário para o Fechamento do Ano
Para atingir a nova meta, o Brasil precisará obter um superávit de aproximadamente US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro, um valor próximo ao registrado no último trimestre de 2025, que foi de US$ 21,8 bilhões. De acordo com Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, as estimativas estão alinhadas com os dados observados até setembro.
Resultados de Setembro
Em setembro, a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 7,74 bilhões, um crescimento de 146,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As exportações totalizaram US$ 34,42 bilhões, com um aumento de 12,9% em comparação anual, enquanto as importações somaram US$ 26,68 bilhões, apresentando uma queda de 2,4%.
Fatores que Impulsionaram as Exportações
O aumento nas exportações foi impulsionado pela valorização dos preços dos produtos no mercado externo. Os preços médios das mercadorias exportadas cresceram 9,9%, e o volume de produtos embarcados aumentou 2,3%. Em setembro, as exportações de petróleo bruto totalizaram US$ 6,49 bilhões, representando um crescimento de 77,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior.


