Na última quarta-feira, 30 de setembro, o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi detido por autoridades locais. Sua prisão está relacionada a uma investigação sobre Fernando Cerimedo, um operador digital argentino acusado de crimes graves, incluindo tentativa de feminicídio e tráfico de drogas.
Contexto da Investigação
Fernando Cerimedo, ex-assessor de presidentes na Bolívia e na Argentina, é conhecido por seus laços com grupos políticos de direita na América Latina, incluindo conexões com a família Bolsonaro e apoio ao ex-presidente Donald Trump. Ele ganhou notoriedade no Brasil ao participar de esforços para desacreditar o sistema eleitoral durante as eleições de 2022.
Desdobramentos das Prisões
Além de Mariaca, outras 13 autoridades bolivianas foram presas, incluindo o ex-ministro Eduardo Del Castillo e o procurador do departamento de Santa Cruz, Alberto Zeballos. Ambos também tiveram seus vistos para os Estados Unidos revogados, com alegações de corrupção e narcotráfico, embora sem apresentação de provas concretas.
Acusações e Repercussões
O governo boliviano, por meio do ministro Marco Antonio Oviedo, acusou Mariaca de liderar uma organização criminosa infiltrada no sistema judicial do país. De acordo com Oviedo, essa organização estaria envolvida na proteção e promoção do narcoterrorismo na Bolívia. Imagens divulgadas mostraram a polícia retirando grandes quantias de dinheiro de um veículo vinculado a Mariaca.
Reação do Ministério Público
Após as prisões, o Ministério Público boliviano denunciou a detenção de Mariaca e Zeballos como um ‘sequestro’ sem mandado judicial, afirmando que as ações foram conduzidas de maneira ilegal. A situação gerou tensão e questionamentos sobre a legalidade das prisões.
Impactos Políticos e Considerações Finais
Roger Mariaca, que foi nomeado procurador-geral em 2024 durante o governo de Luiz Arce, agora enfrenta uma série de acusações que podem ter implicações significativas na política boliviana. Especialistas, como a professora Camila Vidal, apontam que a ação dos EUA na Bolívia possui um caráter político, sugerindo que as investigações sobre a extrema-direita na região podem ter motivado a revogação de vistos e as prisões.
A prisão de Mariaca não apenas reflete a complexidade do cenário político boliviano, mas também destaca as tensões internacionais envolvendo a luta contra o narcotráfico e a influência dos Estados Unidos na América Latina. À medida que mais informações emergem, o desenvolvimento desse caso continuará a ser acompanhado de perto.


