As comunidades quilombolas enfrentam desafios significativos devido às mudanças climáticas, que impactam diretamente sua produção agrícola e qualidade de vida. Em Nova Esperança, na cidade de Baraúna (RN), a agricultora Sueli Bessa compartilha suas memórias de um passado em que a goiaba era abundante na região. Atualmente, a escassez de chuvas tem afetado não apenas essa fruta, mas diversas hortaliças essenciais para as 70 famílias que habitam a comunidade.
Desafios Climáticos e Sociais
As frequentes secas e tempestades têm obrigado muitos moradores a abandonar a agricultura familiar em busca de trabalho nas indústrias urbanas, localizadas a mais de 20 quilômetros de distância. Essa situação é agravada pela falta de infraestrutura, como estradas pavimentadas e um sistema de abastecimento de água regular, que dificulta ainda mais a vida no campo.
A Realidade da Comunidade
Sueli, além de enfrentar esses desafios, busca diversificar sua atividade econômica vendendo geleias e compotas. Ela sonha em concluir o ensino médio e aspirar a um curso superior, com o objetivo de contribuir ainda mais para sua comunidade. Essa visão é compartilhada por sua filha, Suelene Ribeiro, que também se preocupa com as questões climáticas enfrentadas por seus vizinhos.
Ação Coletiva e Preservação
Durante um recente encontro nacional das mulheres quilombolas, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) lançou o livro “Vozes Quilombolas: Mulheres em Defesa do Clima”, que destaca as vozes femininas na luta contra os impactos climáticos. A agrônoma Fran Paula, coautora da pesquisa, enfatiza que as mulheres são as mais afetadas pelas mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, as mais engajadas na proteção de seus territórios.
Denúncias e Soluções
O livro não apenas denuncia os efeitos negativos de grandes empreendimentos sobre os territórios quilombolas, mas também apresenta práticas de conservação e resistência. As mulheres desempenham um papel crucial na monitorização ambiental, percebendo mudanças significativas antes que se tornem críticas, e sendo as primeiras a sofrer as consequências das atividades industriais e de exploração de recursos.
A Necessidade de Regularização Territorial
Fran Paula ressalta a importância da regularização das terras quilombolas, afirmando que a justiça climática é impossível sem a garantia do território. A comunidade de Mesquita, em Cidade Ocidental (GO), é um exemplo de área que necessita de proteção. Com o aumento de projetos de energia limpa e mineração, é vital que esses espaços sejam legalmente reconhecidos e preservados para assegurar a saúde e a identidade cultural das comunidades.
A luta das comunidades quilombolas pela preservação de seus modos de vida e pelo reconhecimento de seus direitos é crucial para garantir um futuro sustentável e justo diante das mudanças climáticas.


