Um estudo recente revelou que a implementação da tarifa zero no transporte público pode ser fundamental para ampliar o acesso a serviços de saúde, especialmente para populações mais vulneráveis. A pesquisa, conduzida por acadêmicos da Universidade de Brasília, destaca como o custo das passagens e a qualidade do transporte impactam negativamente a saúde e o bem-estar de cidadãos como Núbia Sales Veras, uma trabalhadora que enfrenta dificuldades devido às tarifas elevadas e à precariedade do sistema de transporte.
Desafios do Transporte Público e Acesso à Saúde
Núbia, residente na Cidade Ocidental, realiza diariamente um trajeto de 50 km até seu trabalho em Brasília. O alto custo das passagens, que pode chegar a R$ 18 por dia, e a baixa qualidade do serviço dificultam o acesso a cuidados essenciais, como o tratamento para fibromialgia. Em depoimentos, ela relata ter perdido consultas médicas devido à demora dos ônibus e ao custo elevado, o que reflete um problema enfrentado por muitos usuários do transporte público.
Impactos da Tarifa Zero
O estudo analisou como a tarifa zero poderia beneficiar não só o acesso à saúde, mas também a vida social e cultural dos cidadãos. Núbia menciona que suas filhas perderam oportunidades educacionais por conta das limitações financeiras impostas pelo transporte. A pesquisa ressalta que a eliminação da tarifa pode funcionar como uma política efetiva para reduzir desigualdades sociais, especialmente em áreas metropolitanas.
Desigualdade Racial e Mobilidade
Além das questões financeiras, a pesquisa aborda o racismo estrutural que afeta a mobilidade. A população negra, que representa uma parte significativa dos que dependem do transporte público, enfrenta barreiras econômicas e territoriais que limitam ainda mais seu acesso a serviços. Helena Simão, uma aposentada de 72 anos, exemplifica essa realidade ao relatar a dificuldade de conseguir transporte para consultas médicas, mesmo com a isenção tarifária para idosos.
Consequências para a Saúde Pública
De acordo com dados do DataSUS, as mulheres negras têm o dobro do risco de morte materna em comparação às mulheres brancas, um reflexo das restrições de mobilidade e do acesso a cuidados de saúde. A pesquisa conclui que a tarifa zero poderia ser uma estratégia crucial para enfrentar essas desigualdades, promovendo uma maior inclusão social e acesso a serviços essenciais.
Conclusão
A proposta da tarifa zero no transporte público se configura como uma solução inovadora para enfrentar os desafios da mobilidade urbana e suas consequências diretas na saúde da população. Ao eliminar barreiras econômicas, essa medida pode contribuir significativamente para a redução das desigualdades sociais e garantir que todos os cidadãos tenham acesso a cuidados de saúde adequados, promovendo assim uma sociedade mais justa e equitativa.


