Um recente estudo do Mapbiomas, divulgado em 13 de setembro de 2023, revela um aumento significativo nas áreas de vegetação nativa isolada no Brasil. De 1986 a 2023, essas áreas cresceram de 2,7 milhões para 7,1 milhões de hectares, representando um aumento de 260% ao longo de 38 anos.
Impacto da Fragmentação da Vegetação
Esse crescimento, embora positivo em termos de área, é acompanhado por uma preocupante fragmentação da vegetação. O estudo demonstra que, enquanto a área total aumentou, o tamanho médio dos fragmentos caiu drasticamente de 241 hectares em 1986 para apenas 77 hectares em 2023. Essa diminuição pode comprometer a biodiversidade, já que áreas menores tendem a suportar menos espécies de fauna e flora.
Consequências da Fragmentação
O pesquisador Dhemerson Conciani, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), alerta que a redução do tamanho dos fragmentos pode levar a extinções locais e limitar a capacidade de recolonização de espécies. O fenômeno do efeito de borda, que afeta as características naturais das margens, é outro fator de preocupação.
Distribuição da Vegetação Nativa por Biomas
De acordo com o estudo, quase 5% da vegetação nativa do Brasil, equivalente a 26,7 milhões de hectares, está em fragmentos menores que 250 hectares. Os biomas Mata Atlântica e Cerrado possuem o maior número de fragmentos isolados, com 2,7 milhões de áreas em cada um. A fragmentação nesses biomas ocorre por razões variadas, sendo o desmatamento a principal causa no Cerrado, enquanto na Mata Atlântica, o aumento de áreas de recuperação também contribui.
Crescimento da Fragmentação nos Biomas
A fragmentação variou significativamente entre os biomas: na Amazônia, o número de fragmentos aumentou em 332%, enquanto no Pantanal foi de 350%. O Pampa e o Cerrado também experimentaram aumentos expressivos de 285% e 172%, respectivamente. Apesar de menores, a Caatinga e a Mata Atlântica também mostraram crescimento na fragmentação, com aumentos de 90% e 68%.
Distúrbios e Degradação na Amazônia
Um aspecto inovador do estudo foi a análise dos distúrbios no dossel florestal da Amazônia Legal, que indicou que 24,9 milhões de hectares apresentaram sinais de perturbações entre 1988 e 2024. Essas perturbações, que incluem secas, ventos e cortes seletivos, resultam em clareiras que afetam a integridade das florestas.
Causas e Efeitos da Degradação
O corte seletivo de madeira é uma das principais causas de distúrbio identificadas, afetando cerca de 9,7 milhões de hectares. Embora nem todos os fatores de degradação resultem em desmatamento exposto, eles comprometem a saúde dos biomas, com 24% da vegetação nativa remanescente do Brasil sujeita a pelo menos um vetor de degradação.
Esses dados ressaltam a importância de monitorar e proteger as áreas de vegetação nativa, visando a conservação da biodiversidade e a sustentabilidade dos ecossistemas brasileiros.


