Recentemente, um estudo revelou as causas subjacentes das devastadoras enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024. O desastre climático impactou 478 municípios, afetando mais de 2,4 milhões de pessoas e resultando na morte de 185 indivíduos, com 23 desaparecidos até o momento.
Contexto do Estudo
Após dois anos do ocorrido, os pesquisadores realizaram uma análise detalhada, identificando os eventos que desencadearam o desastre, as condições de risco e as pressões dinâmicas que contribuíram para a tragédia. O estudo, intitulado ‘Entendendo a Construção do Risco’, foi elaborado pelo World Resources Institute Brasil (WRI) com a colaboração de universidades gaúchas.
Causas Raiz do Desastre
O documento classifica as causas do desastre em quatro categorias principais, que interagem com várias pressões dinâmicas. Essas categorias ajudam a entender como fatores históricos e sociais contribuíram para a vulnerabilidade das comunidades.
1. Desenvolvimento Urbano e Rural
O modelo de ocupação territorial adotado no estado é considerado pouco resiliente, tornando as áreas mais suscetíveis a desastres.
2. Condições Físicas e Ambientais
A variabilidade climática e as condições geomorfológicas e hidrológicas contribuem significativamente para a ocorrência de enchentes.
3. Condições Socioeconômicas
Fatores como negacionismo climático, desigualdade socioeconômica e a falta de uma cultura de prevenção agravam o cenário de risco.
4. Governança
A priorização de interesses econômicos em detrimento de questões ambientais, uma legislação inadequada e a falta de um gerenciamento eficaz da questão climática são falhas críticas que precisam ser abordadas.
Caminhos para a Resiliência
Os pesquisadores enfatizam que, para aumentar a resiliência das cidades, não basta investir somente em infraestrutura. É essencial fortalecer a governança em todos os níveis, promover uma cultura de prevenção e envolver grupos vulneráveis no planejamento.
Como afirmado por Lara Caccia, coordenadora de Adaptação Urbana do WRI Brasil, ‘se o risco foi construído historicamente, a resiliência também pode ser construída por meio de novas escolhas de desenvolvimento’.


