No dia 13 de julho, o Brasil celebra os 36 anos da Lei 8.069, que estabeleceu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Essa data marca o início de uma semana dedicada a discutir e refletir sobre as políticas públicas focadas na proteção dos direitos infantojuvenis.
Importância do ECA na Sociedade Brasileira
O ECA foi uma das primeiras legislações aprovadas após a Constituição de 1988, consagrando o princípio da prioridade absoluta na proteção de crianças e adolescentes. Em certas situações, os direitos garantidos pelo ECA podem se estender até os 21 anos, refletindo uma preocupação contínua com o bem-estar dessa faixa etária.
Conquistas ao Longo dos Anos
Desde a sua promulgação, o Brasil conseguiu importantes avanços, como a redução da mortalidade infantil, a universalização do acesso ao ensino fundamental, melhorias nas normas de adoção e a criação de uma rede de conselhos tutelares. Essas conquistas foram destacadas por profissionais como Andressa Ferreira Cândido, assistente social que atua em projetos voltados a adolescentes em regime socioeducativo.
Desafios Persistentes na Proteção de Direitos
Apesar dos progressos, muitos desafios permanecem. Maurício Cunha, presidente do ChildFund Brasil, ressalta que, embora tenham ocorrido avanços significativos, os obstáculos também se tornaram mais evidentes. A falta de monitoramento do orçamento destinado a crianças e adolescentes é um dos problemas críticos a ser enfrentado.
Questões Orçamentárias e Acesso a Creches
Cunha destaca a dificuldade em mensurar os investimentos efetivos em políticas voltadas para essa população, que estão distribuídos entre diferentes áreas, como saúde e educação. Além disso, cerca de um terço das crianças ainda não tem acesso a creches, evidenciando a necessidade urgente de expandir esse serviço.
Riscos Emergentes e Retrocessos
Os riscos enfrentados por crianças e adolescentes se ampliaram com o advento da internet, que trouxe à tona novas formas de violência, como abuso sexual e bullying online. Cunha aponta que a falta de regulamentação e proteção nesse espaço digital é uma preocupação crescente.
ECA Digital e sua Regulamentação
O ECA Digital, introduzido recentemente, apresenta uma oportunidade de melhoria ao responsabilizar as grandes empresas de tecnologia e implementar mecanismos de verificação de idade. No entanto, ainda falta clareza sobre como esses mecanismos serão efetivamente aplicados.
Reflexões sobre a Maioridade Penal
Além dos desafios do ambiente digital, questões históricas como o envolvimento de adolescentes em atos infracionais também precisam ser abordadas. A internação em sistemas socioeducativos é considerada onerosa e uma falência da sociedade, segundo Cunha.
Alternativas à Internação
Especialistas, como Andressa Cândido, defendem que o foco deve ser em políticas públicas eficazes que promovam a proteção familiar e a prevenção, evitando que adolescentes sejam levados ao encarceramento. A redução da maioridade penal é vista como uma abordagem arriscada que pode expor os jovens a ambientes prejudiciais e a facções criminosas.
Em síntese, os 36 anos do ECA são um marco importante, repleto de conquistas, mas também repleto de desafios que requerem atenção e ação contínuas para garantir a proteção efetiva dos direitos de crianças e adolescentes no Brasil.


